O Centro de Estudos Ambientais e Dinamização Rural (CEADIR) irá elaborar os indicadores de avaliação da biodiversidade e das infraestruturas verdes do corredor ecológico de Espanha e Portugal.
É inegável a riqueza ecológica e paisagística que se tem vindo a desenvolver ao longo do tempo em torno do rio Douro, curso de água que une e liga Espanha e Portugal. Manter essa diversidade de ecossistemas é essencial para garantir a sustentabilidade do território, pelo que é necessário conhecê-la em primeira mão, estudá-la e analisá-la. Neste contexto, a Universidade de Salamanca, através do seu centro próprio CEADIR (Centro de Estudos Ambientais e Dinamização Rural), será um dos principais intervenientes no projeto «OET-Durius» que, com um orçamento de 1 573 013 euros, tem entre os seus principais objetivos a criação de um «Observatório Ecológico Transfronteiriço» em torno do Douro para analisar os seus ecossistemas e biodiversidade e estudar como as atividades e infraestruturas humanas afetam a conectividade do território neste corredor ecológico da Espanha e de Portugal. O projeto é financiado em 75% pelo programa Interreg VI-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2021-2027 e conta com a participação de um consórcio de investigação composto por oito entidades espanholas e portuguesas, incluindo — além da USAL — a Fundação Santa María la Real, a Associação Ibérica de Municípios Ribeirinhos do Douro, o grupo «Hábitat Eficiente Aeice» e a Câmara Municipal de Zamora, pela parte espanhola, bem como a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, a Comunidade Intermunicipal do Douro e a Comunidade Intermunicipal de Trás-os-Montes, pela parte portuguesa.
Conectividade e biodiversidade do território
O CEADIR participará principalmente nas ações do projeto dedicadas à «Conceção do Observatório Ecológico Transfronteiriço do Corredor Duero-Douro para a melhoria da conectividade e da biodiversidade do território» e desenvolverá os indicadores de avaliação da biodiversidade e das infraestruturas verdes neste corredor ecológico. No futuro observatório «OET DURIUS» serão realizadas as ações nas quais a USAL terá um maior envolvimento. O primeiro passo para a entrada em funcionamento do OET será a análise dos ecossistemas em torno do Douro. Que espécies existem? Quais são as zonas mais importantes para a biodiversidade? Estão interligadas? De que forma as atividades e infraestruturas humanas afetam a conectividade do território? Com base nessas análises iniciais, será efetuada uma seleção de espécies representativas, identificando as suas zonas mais importantes ou áreas-núcleo, possíveis corredores de ligação e os pontos que constituem um obstáculo a esses movimentos. É impossível intervir em todas as espécies ou ecossistemas do Douro; por isso, será necessário delimitar e priorizar as áreas de intervenção, através da sua análise e do diálogo com os agentes envolvidos. «Queremos saber se a conectividade ecológica dos territórios ligados ao Douro é adequada, ou seja, saber se as diferentes espécies que o habitam podem comunicar, interagir e viver, ou se as suas vias naturais de ligação foram interrompidas por estradas, cidades ou outro tipo de estruturas», salientam os responsáveis pelo projeto. Com toda a informação recolhida, será criada uma plataforma digital de fácil acesso, que permitirá a consulta, a interação e a atualização de dados; ou seja, será criado um observatório ecológico transfronteiriço, que irá sendo ampliado gradualmente.
Intervenções de renaturalização
Para além da investigação, da recolha de informação e da criação do «OET DURIUS», o projeto prevê também a realização de intervenções de renaturalização, tanto na zona espanhola como na portuguesa, embora ainda não tenha sido definido onde estas serão levadas a cabo. A intervenção dependerá do local específico escolhido em cada caso, mas tratar-se-á de ações orientadas para a recuperação de elementos importantes, tanto para a conservação das paisagens culturais como da biodiversidade: muros de pedra tradicionais, limites de propriedade, pequenas zonas húmidas, bebedouros e fontes, bosquetes, zonas de pastagens ou outras áreas de interesse.